Crônicas

 

 

 

 

A REPROVAÇÃO ESCOLAR NÃO INTERESSA A NINGUÉM! (Não é preciso morrer e nem matar ninguém, professor!)

            O pior e mais deplorável argumento a fim de passar a outra série um aluno sem mérito algum é perguntar ao professor: — "Você quer tê-lo novamente como seu aluno no próximo ano...?" O se ver livre por essas vias, termina por incentivar os sem sonhos a perturbarem mais ainda as aulas, atrapalhando professores e colegas. Descobriram o segredo! Mas, é assim que os coordenadores contribuem com a confecção de índices maiores de aprovação; coitados, também são pressionados de cima para baixo.
           

           A coordenadora de disciplina odeia muito ver o professor sentado à mesa, lendo e corrigindo as redações dos alunos, ou simplesmente escrevendo vistos no caderno deles, tanto que é tema em todas as reuniões pedagógicas. E aconselha-nos nervosamente sobre esse momento: — "Devem passar outra atividade no quadro para os alunos nunca ficarem um instante ociosos e evitar a bagunça". Ora, se os alunos sabem que serão aprovados automaticamente, vão se importar com mais uma tarefa no quadro, valendo os pontos prometidos!? O que esses evitadores de serviço não sabem, é que quando os alunos não querem estudar, tampouco se atentam às suas atividades e nem às de outras matérias. Ninguém gosta de professor, jamais; todos os usam e abusam da boa vontade deles!
           

           No início do ano, todos da equipe escolar juntos em uníssono, reafirmamos o voto: — "Vamos aprovar só os alunos dedicados e estudiosos, sejamos rígidos, nossa escola é séria"! Agora, em um passo de mágica, logo o tempo prova o contrário, os bons propósitos mudam, e tornam-se  em nada à medida que os projetos de recuperação paralela, feira de ciências e interclasses não funcionam.  De forma alguma, não se enganam mais os alunos; os espertos nunca querem estudar e pronto, eles continuam usando de todo subterfúgio espúrio para se dar bem. A escola, por sua vez, também tentando lucrar. Aqui une a fome com a vontade de comer: o professor quer também se dar bem.
           

           No final, terceiro bimestre em diante, a pressão psicológica aumenta em cima do professor (enquanto deveria ser em cima do aluno), é um assédio moral aqui, outra imoralidade ali, uma falta de ética acolá e assim vamos que vamos, contanto que todos os alunos sejam promovidos. A reprovação não interessa a ninguém.
           

          Observei também durante o ano, é precisamente no quarto bimestre, que aumentam as denúncias sobre professores. As mais banais, versando sobre o comportamento moral e profissional do professor dentro da sala, questões pessoais e outros assuntos particulares, trato com notas até o modo do professor se vestir. Porém, o fim é sempre o mesmo, capitação de nota para conseguir, de qualquer jeito, a aprovação. Tudo isso reforçado ainda mais com a visita de pais "nunca" vistos no ambiente escolar, "barraqueiros" e ameaçadores, aqueles sabedores do endereço da secretaria da educação, e de todos os seus telefones. Há outros mais educados simples e descaradamente oferecendo-nos suborno.
             

           Contudo ainda, falando da dependência curricular, o aluno, por último, será promovido mesmo que fique reprovado em duas matérias, ele nem se preocupará, pois um "trabalhosinho" lhe esperará para cumprir o feito. É lógico, o professor de jeito nenhum quer trabalho extra no próximo ano, então é melhor ficar livre de problema agora mesmo! E no final, não é preciso morrer e nem matar ninguém!

Autoria de Claudessy Ferreira de Andrade, http://claudeko-claudeko.blogspot.com

 

 

Olhe-se no Espelho! 

Por Lya Luft
 

(Google Imagens)

“No mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher. Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.

Foi um momento inesquecível!!… A platéia inteira fez um ‘oooohh’ de descrédito.

Aí fiquei pensando: “pôxa, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?”

Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado ‘juventude eterna’. Estão todos em busca da reversão do tempo. Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.

Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada. A fonte da juventude chama-se “mudança”. De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.

Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.

“Mudança”, o que vem a ser tal coisa?

Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho. Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, …….Rejuvenesceu!.

Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu!.

Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. … Rejuvenesceu!!!.

Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois da coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face. Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.

Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.

Olhe-se no espelho…”

Texto de Lya Luft

Postado por A. Fernandes

Em 15/10/2016

 
 

 

 

 

“O casal perfeito” de Lya Luft

A solidão dos homens tem a medida da solidão de suas mulheres.

Isso eu disse e escrevi – e repito – em dezenas de palestras por este país afora. Aí me pedem para escrever sobre o casal perfeito: bom para quem gosta de desafios.

O casal perfeito seria o que sabe aceitar a solidão inevitável do ser humano, sem se sentir isolado do parceiro – ou sem se isolar dele? O casal perfeito seria o que entende, aceita, mas não se conforma, com o desgaste de qualquer convívio e qualquer união?
Talvez se possa começar por aí: não correr para o casamento, o namoro, o amante (não importa) imaginando que agora serão solucionados ou suavizados todos os problemas – a chatice da casa dos pais, as amigas ou amigos casando e tendo filhos, a mesmice do emprego, chegar sozinha às festas e sexo difícil e sem afeto.
Não cair nos braços do outro como quem cai na armadilha do “enfim nunca mais só!”, porque aí é que a coisa começa a ferver. Conviver é enfrentar o pior dos inimigos, o insidioso, o silencioso, o sempre à espreita, o incansável: o tédio, o desencanto, esse inimigo de dois rostos.
Passada a primeira fase de paixão (desculpem, mas ela passa, o que não significa tédio nem fim de tesão), a gente começa a amar de outro jeito. Ou a amar melhor; ou, aí é que a gente começa a amar. A querer bem; a apreciar; a respeitar; a valorizar; a mimar; a sentir falta; a conceder espaço; a querer que o outro cresça e não fique grudado na gente.
O cotidiano baixa sobre qualquer relação e qualquer vida, com a poeira do desencanto e do cansaço, do tédio. A conta a pagar, a empregada que não veio, o filho doente, a filha complicada, a mãe com Alzheimer, o pai deprimido ou simplesmente o emprego sem graça e o patrão de mau humor.
E a gente explode e quer matar e morrer, quando cai aquela última gota – pode ser uma trivialíssima gota – e nos damos conta: nada mais é como era no começo.
Nada foi como eu esperava. Não sei se quero continuar assim, mas também não sei o que fazer. Como a gente não desiste fácil, porque afinal somos guerreiros ou nem estaríamos mais aqui, e também porque há os filhos, os compromissos, a casa, a grana e até ainda o afeto, é preciso inventar um jeito de recomeçar, reconstruir.
Na verdade devia-se reconstruir todos os dias. Usar da criatividade numa relação. O problema é que, quando se fala em criatividade numa relação, a maioria pensa logo em inovações no sexo, mas transar é o resultado, não o meio. Um amigo disse no aniversário de sua mulher uma das coisas mais belas que ouvi: “Todos os dias de nosso casamento (de uns 40 anos), eu te escolhi de novo como minha mulher”.
Mas primeiro teríamos de nos escolher a nós mesmos diariamente. Ao menos de vez em quando sentar na cama ao acordar, pensar: como anda a minha vida? Quero continuar vivendo assim? Se não quero, o que posso fazer para melhorar? Quase sempre há coisas a melhorar, e quase sempre podem ser melhoradas. Ainda que seja algo bem simples; ainda que seja mais complicado, como realizar o velho sonho de estudar, de abrir uma loja, de fazer uma viagem, de mudar de profissão.
Nós nos permitimos muito pouco em matéria de felicidade, alegria, realização e sobretudo abertura com o outro. Velhos casais solitários ou jovens casais solitários dentro de casa são terrivelmente tristes e terrivelmente comuns. É difícil? É difícil. É duro? É duro. Cada dia, levantar e escovar os dentes já é um ato heróico, dizia Hélio Pellegrino.
Viver é um heroísmo, viver bem um amor mais ainda. O casal perfeito talvez seja aquele que não desiste de correr atrás do sonho de que, apesar dos pesares, a gente, a cada dia, se escolheria novamente, e amém.

 Lya Luft é escritora e já publicou 23 livros, entre romances, coletâneas de poemas, crônicas, ensaios e livros infantis.

 

 

O desespero é o oposto da fé

 

 

As maiorias das cartas que tenho recebido são de pessoas desesperadas, pedindo ajuda. Casos de separação, desemprego, perda de entes queridos, solidão, procura de amor. São pessoas atormentadas, em busca de uma saída, esperando que alguém possa dar-lhes uma receita que, como um passe de mágica, resolva todos os seus problemas. Isso é ilusão. Ninguém pode buscar nos outros uma resposta que está dentro de si. Ninguém pode segurar a força das coisas.

Se deseja sair desse círculo de desespero e ir resolvendo seus problemas, comece por compreender que se preocupar,angustiar-se, imaginar o pior, queixar-se, revoltar-se, além de não resolver nada, pode acabar com sua saúde, turvar sua lucidez, colocar obstáculos em seu caminho.

O desespero é o oposto da fé. É a descrença total. Rezar desesperado não melhora nada. Só demonstra que você desconhece a sabedoria da vida, não sabe nada sobre as leis que equilibram o universo e objetivam a evolução do espírito. Só tem olhos para os problemas, que se agigantam a cada dia, porque distante do apoio espiritual, sente-se impotente para encontrar as soluções necessárias. Esquece que seu espírito, criado à semelhança de Deus, possui a luz divina dentro de si. Ela permite uma ligação direta com a fonte da vida, que se evocada com sinceridade, ativará sua força, lhe mostrará lados da situação que antes não via e lhe dará inspiração para tomar atitudes mais adequadas que podem resolver o assunto definitivamente.

Você estagia na Terra para evoluir, conhecer como a vida funciona aprender a cooperar com ela e poder participar deforma consciente na construção do progresso, na conquistado bem estar de todos os seres.

A vida responde às suas escolhas, querendo acordá-lo para essa realidade. Quando você se distancia desse objetivo, ela envia estímulos que desafiam seu comodismo, visam reconduzi-lo a ação produtiva, mudando conceitos, trazendo novas idéias, promovendo o progresso. Se você resistir, atrairá problemas maiores, até se entregar. É hora de abreviar o caminho e perguntar: O que a vida quer me ensinar com isso?

Logo virão em sua lembrança, fatos, momentos que lhe mostrarão o que precisa saber.

Se não acredita, experimente fazer o que estou afirmando.

Sinta o que vai a seu coração, assuma a grandeza do seu espírito, que é luz, deseja dar amor, fazer o melhor, conquistar serenidade, alegria, bem estar. Não entre na maldade dos outros, jogue fora suas mágoas, não julgue ninguém. A vida tem meios de ensinar a todos o que devem aprender, você não  tem essa capacidade. Você pode ser melhor do que pensa.

Conquiste serenidade e paz.

 

Zibia Gasparetto é escritora

espiritualista

 

 

 

 

Depressão

Por Zibia Gasparetto escritora

A depressão é fruto da insatisfação. Se você vive infeliz, perdeu a alegria de viver e deseja encontrar uma saída, o primeiro passo é deixar a cômoda posição de vítima, seja lá do que for, e assumir a responsabilidade pela sua vida. Ninguém é vítima. As pessoas colhem os resultados de suas atitudes. Se não acredita, observe as atitudes de pessoas de sua intimidade, analise os fatos que ocorrem em suas vidas e notará com clareza a ligação entre as escolhas que fizeram e os fatos que estão vivendo.

Se você está infeliz, se as coisas não saem como deseja, analise sua maneira de se ver, de ver a vida. Como interpreta os acontecimentos do dia a dia. Se insisto nesse ponto, é porque não há outro caminho para reverter a situação. As falsas crenças, que acreditamos verdadeiras distorcem a visão daquilo que é, dificultam o entendimento.

Você está dentro de um círculo vicioso, do qual não enxerga a saída. Se não reagir, fizer uma análise cuidadosa do que se passa em seu mundo interior, vai atrair maiores desafios, até que não suporte mais e aceite mudar. A vida tem como sagrado objetivo a evolução dos seres. Nosso espírito estagia na Terra, para desenvolver nossos potenciais, aprender a gerenciar nosso mundo interior, conquistar felicidade, sabedoria e trabalhar a favor da vida, contribuindo para o equilíbrio do universo.

Nosso espírito é eterno, somos parte da essência divina. O nosso destino é o progresso e a luz, mas a conquista de tudo isso é nossa responsabilidade. A vida dispôs todas as condições, mas quer que cada um viva sua experiência e descubra os caminhos que levam ao objetivo.

Nada substitui a experiência. Portanto, ninguém pode aprender sem experimentar. Ser sem conquistar. Ter sem pagar o preço da aprendizagem. O fracasso é temporário. A alegria, o prazer, a felicidade vêm da alma. As pessoas, a sociedade pode lhe oferecer tudo e você continuar infeliz.

A depressão é um estado interior de insatisfação, provocado pela obstrução da expansão do seu espírito. A natureza o impulsiona a evoluir, seu espírito anseia crescer, realizar-se. Quando você o impede, sente-se infeliz e não é nada que possa satisfazê-lo.

Seu espírito quer tornar-se mais consciente, mais verdadeiro, reciclar seus valores, fazer coisas novas, contribuir para o progresso de todos, sentir a própria nobreza, amar. Não o impeça. Você é muito mais do que pensa. Valorize-se. Os limites é você quem põe. Abra seu coração sem medo. Ignore o mal, olhe o lado bom. Para colher felicidade basta apenas aprender a maneira adequada de plantar. Experimente e verá!

 

 

 

Apaixone-se

Por Luiz Carlos Prates (Blog Prates no SBT)

Acabei de ler uma frase interessante. A frase estava num livro religioso… Dizia assim: – “O maior homicida dos dias de hoje é o tédio”. Na mosca! De fato, para quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, o tédio está arrasando multidões. O curioso é que as pessoas pensam que o tédio lhes vem de fora, dos outros. Engano. O tédio vem dos olhos da pessoa, vem dos seus suspiros equivocados, vem de suas vísceras, jamais vem de fora. Sentir o tédio como vindo de fora é um modo de escaparmos da culpa, da responsabilidade. Melhor então é achar um culpado: o cônjuge, o trabalho, a rotina, a vida, enfim…

 

Aliás, lendo a tal frase – O maior homicida dos dias de hoje é o tédio – ela me fez lembrar de outra frase, aqui já citada do jornalista Arthur da Távola: – “Quem tem vida interior não sofre de solidão”. Perfeito. Vale para o tédio. As pessoas nunca consumiram tantos ansiolíticos e drogas legais e ilegais como hoje. E por quê? Vidas vazias. São pessoas consumistas como o Natal, mas vazias como um porongo…

 

Os arvoados (é arvoados mesmo) pensam que usando roupas caras, dirigindo carrões, consumindo novidades tecnológicas, andando em festas, baladas, isso e mais aquilo vão ser felizes. De jeito nenhum. O que nos enfeita por fora não nos preenche por dentro. Ou as pessoas de fato não enxergam aquele tal palmo diante do nariz ou se fazem de desentendidas para não assumir a responsabilidade por suas vidinhas de araque. Essas pessoas se fazem de sonsas, mas sabem muito bem que suas vidas não valem nada, sabem direitinho.

 

Dia destes ouvi um sujeito dizer que o sonho dele é uma casa de frente para o mar e ele ficar o dia todo olhando o horizonte do oceano… Credo, que horror, não há nada mais tedioso que o mar… Aos entediados, um conselho: para acabar com o tédio apaixonem-se! Por um trabalho, é claro. Santo remédio.

 

 

 

A Elegância do conteúdo

Por Martha Medeiros

De ferramentas tecnológicas, qualquer um pode dispor mas a cereja do bolo se chama conteúdo. É o que todos buscam freneticamente: vossa majestade, o conteúdo.

Mas onde ele se esconde?

Dentro das pessoas. De alguma delas.

Fico me perguntando como é que vai ser daqui a um tempo, caso não se mantenha o já parco vínculo familiar com a literatura, caso não se dê mais valor a uma educação cultural, caso todos sigam se comunicando com abreviaturas e sem conseguir concluir um raciocínio. De geração para geração, diminui-se o aceeso ao conhecimento histórico, artístico e filosófico. A overdose de informação faz parecer que sabemos tudo, o que é uma ilusão, sabemos muito pouco, e nossos filhos saberão menos ainda. Quem irá optar por ser professor não tendo local decente para trabalhar, nem salário condizente com o ofício, nem respeito suficiente por parte dos alunos?

Os minimamente qualificados irão ganhar a vida de outra forma que não numa sala de aula. E sem uma orientação pedagógica de nível e sem informção de categoria, que realmente embase a formação de um ser humano, só o que restará é a vulgaridade e a superficialidade, que já reinam, aliás.

Sei que é uma visão catastrofista e que sempre haverá uma elite intelectual, mas o que deveríamos buscar é justamente a ampliação desta elite para uma maioria intelectual. A palavra assusta, mas entenda-se como intelectual a atividade pensante, apenas isso, sem rebuscamento.

O fato é que nos tornamos uma sociedade muito irresponsável, que está falhando na transmissão de elegância. Pensar é elegante, ter conhecimento é elegante, ler é elegante, e essa elegância deveria estar ao alcance de qualquer pessoa. Outro dia, conversava com um taxista que tinha uma idéia muito clara dos problemas do país, e que falava sobre isso num português correto e sem se valer de palavrões ou comentários grosseiros, e sim com argumentos e com tranquilidade, sem querer convencer a mim nem a ninguém sobre o que pensava, apenas estava dando a sua opinião de forma cordial. Um sujeito educado, que dirigia de forma igualmente educada. Morri e reencarnei na Suíça, pensei.

Isso me faz lembrar de um livro excelente chamado “A elegância do ouriço”, de Muriel Barbery, que conta a história de uma zeladora de um prédio sofisticado de Paris. Ela, com sua aparência tosca e exercendo umtrabalho depreciado, era mais inteligente e culta do que a maioria esnobe que morava no edifício a que servia. Mas, como temia perder o emprego caso demonstrasse sua erudição,  oferecia aos patrões a ignorância que esperavam dela, inclusive falando errado de propósito, para que todos os inquilinos ficassem tarnquilos – cada um no seu papel.

A personagem não só tinha uma mente elegante, como possuía também a elegância de não humilhar  seus “superiores”, que nada mais eram do que medíocres com dinheiro.

A economia do Brasil vai bem, dizem. Mas pouco valerá se formos uma nação de medíocres com dinheiro.

 

 

 Aos usuários de drogas

 

Por Artur da Távola

 

 

 Não tenho temperamento punitivo e busco compreender as pessoas.

Estou convencido de que há dois tipos de usuários de drogas, lícitas ou ilícitas. Os que trazem dolorosos problemas interiores, a maioria provindas da infância e da incompreensão do mundo adulto. E aqueles que têm da vida uma visão superficial de busca de prazer e precisa de atos e comportamentos radicais, para agüentar formas diversas de depressão que lhes roem a alma. Sei também que a maioria está convencida de que deve largar o vício mas vício ele já não é: tornou-se dependência química: a necessidade é das células. Mais: a maioria quer deixar o vício mas não consegue.

Pois é a esse variado gênero de dependentes que desejo falar nesta carta: sejam quais forem as razões que os levam á droga, vocês, mesmo sendo vítimas de tempos de loucura, são co-responsáveis por toda a violência que se desenvolve em torno do problema “drogas” e eu ainda concluo aí o alcoolismo.

Esta carta é um apelo: faça o esforço possível para abandonar a droga. Sei que é difícil, mas sei também que há milhares de casos de pessoas que se libertaram de vícios de anos e assim recuperam seu espaço de dignidade e respeito. Só há violência e tráfico por duas razões: porque a droga é ilegal e porque há usuários. Estes são poupados pela lei. Em parte é justo quando já se trata de doença. Mas o usuário precisa saber que ele é parte em todo crime ligado ao assunto, em cada bala perdida, em cada jovem que morre na guerra do tráfico, em cada assassinato. Essa consciência, uma vez sendo clara por parte do usuário, por certo o levará aos esforços possíveis para libertar-se da droga. Em cada ser humano há uma consciência, as vezes calada à força ou por ilusões. Por isso tenho a certeza de que o usuário em quem ainda reste uma ponta de consciência pessoal e pública, sabe ser parte (embora seja também vítima) do magno problema. É um caso curioso: o usuário é ao mesmo tempo vítima e causa de tanta dor, tanta mãe desesperada, tantos assassinatos até de pais e parentes. Ele merece atenção, cuidado e carinho. Porém não está livre de um alto grau de responsabilidade sobre essa matéria que hoje destrói os sonhos de fazermos um País próspero e feliz.

Para lutar por uma sociedade mais justa impõe-se uma postura ética. Impõe-se uma atitude de espírito público. Impõem-se sacrifícios pessoais e esforços inauditos. Não se critica nem se transforma uma sociedade minando os pilares éticos de sua organização. Daí este apelo em forma de carta que faço aos usuários de drogas lícitas ou ilícitas. As fundas razões de sua adição ao vício merecem tratamento, respeito e cuidado, porém não os livra da co-responsabilidade pela violência. Da qual eles são parte, queiram ou não.

 

 

 

Baixaria na televisão

Por Américo Fernandes

 

Assistindo ao jogo da Copa do Mundo entre Gana e Estados Unidos após o término do primeiro tempo, resolvi zapear e acabei sintonizando o canal do SBT, e assisti a estréia de um programa do apresentador Raul Gil recém contratado por este canal, e pude verificar a qualidade do programa que difere de tudo que é transmitido nos dias atuais.

É um programa feito para a família, onde mostra vários talentos em diversas áreas como: a música, a dança, etc. mostrando que se pode fazer uma programação de qualidade onde nossos filhos possam assistir, saindo da mesmice, e do péssimo exemplo que assistimos diariamente na maioria dos canais do nosso País.

Incrível ver o péssimo nível da programação que a televisão nos tem imposto, principalmente nas novelas apresentadas na Rede Globo onde os autores escrevem roteiros estimulando, a violência, o sexo, a traição e a picaretagem entre irmãos, parentes e amigos, dando um péssimo exemplo, e estimulando a falta de ética e moral na Família que é o alicerce da sociedade.

Outro exemplo de como vai mal a nossa televisão é o programa Pânico, da Rede TV, onde são expressas palavras grosseiras, gestos indecentes, aviltamento do ser humano, expondo pessoas ao ridículo.

Já que os nossos governantes que dão as concessões dos canais de televisão não tomam nenhuma providência, cabe a nós evidenciarmos nossa insatisfação com o conteúdo que vem sendo exibido pelas emissoras, não dando audiência a esses programas evitando que nossas crianças sejam contaminadas.

Devemos chamar a atenção para a discussão sobre a ética, começando dentro de nossos lares e com isso alertar aos anunciantes que são a razão da existência de tais programações, que deixem de investir em programas de baixaria que atentam contra os princípios da Moral e da Ética.

 

 

A importância da leitura no mundo contemporâneo

 

A literatura de modo geral amplia e diversifica nossas visões e interpretações sobre o mundo e da vida como um todo.

Precisamos estar atentos a esta questão, pois a ausência da leitura em nossa vida bloqueia a possibilidade e acaba, de certa forma, nos excluindo dos acontecimentos, da interpretação, da imaginação e da ficção arquitetada pelo autor, seja num romance ou num artigo; numa crônica ou num conto, numa poesia ou num manifesto, num jornal ou num ensaio, num gibi ou numa história infantil ou infanto-juvenil, enfim, são inúmeras as possibilidades de mergulhar no mundo da fantasia e da realidade encontradas no mundo das palavras.

Na adolescência acaba-se excluindo a literatura do seu convívio diário, devido a falta do gosto pela leitura. Nas escolas, até que se tenta alguma coisa, no entanto, não chega a ser eficaz; quanto aos pais, nem todos tem o gosto pela leitura, desmotivando assim, seus filhos. Considerando que o exemplo, neste processo, ganha grande significado na construção de novos leitores.

Vivemos num mundo contemporâneo onde as palavras rascunhadas no papel não têm muito valor. A literatura hoje é recurso dos mais ricos, sendo que os mais pobres, até possuem este recurso, porém, não é explorado de forma adequada. Dessa forma, a literatura contemporânea se transformou num produto de elite, e aqueles que não tem o acesso ou simplesmente não tem o gosto de ler são deixados de lado. Tal realidade ganha veracidade quando comparamos alunos e escolas particulares com alunos de escolas públicas, visualizamos resultados extremamente desanimadores.

A leitura no seu sentido geral amplia nossos horizontes e nos transporta ao mundo da imaginação, sem contar os conhecimentos mil que acabamos adquirindo quando mergulhamos em universos desconhecidos como a literatura policial, a literatura infantil ou infanto-juvenil, a literatura fantástica, a literatura clássica, além dos artigos políticos, econômicos, sociais e culturais encontrados nos jornais e em outros veículos de informação impressa.

Portanto, é de suma importância desenvolver em nós uma “cultura de leitura”, pois só assim seremos aprendizes e formadores de opinião em todo ambiente social e democrático que estivermos.

Prof. Roberto Cerqueira Dauto

Graduado em Letras, técnico em Informática, publicitário, poeta, escritor e Diretor-Membro da Creche “Lar da Criança”

 

 

Solidariedade

Por Américo Fernandes

“Estado ou condição de duas ou mais pessoas que repartem entre si igualmente as responsabilidades de uma ação, empresa ou de um negócio, respondendo todas por uma e cada uma por todas”.

Vivemos nos dias atuais numa fase de banalização da violência, no consumismo desenfreado, na fome, no desemprego. E uma atitude que pode ajudar o ser humano é a solidariedade humana. Um belo exemplo disso tivemos recentemente com o resgate dos 33 mineiros na mina de cobre de San Jose no deserto do Atacama no norte do Chile que ficaram soterrados durante 69 dias.

O Mundo presenciou exemplos de solidariedade, liderança e fé, onde os países se uniram e graças a investimentos em pesquisas e na moderna tecnologia tornaram o resgate num sucesso. Este acidente nos mostrou como é possível através destes exemplos transformar este planeta tão conturbado com guerras, disputas entre as nações para ver quem tem maior arsenal bélico, enriquecimento de urânio para fabricação de bombas destruidoras, ações estas que não visam o bem estar e a união das nações em benefício do ser humano.

Como seria maravilhoso que todos os países se unissem para pôr em prática a solidariedade entre os homens e com isso num só objetivo acabar com a pobreza, com a fome e com as guerras. E que os bilhões de dólares gastos com armamentos fossem usados para pesquisas na cura das doenças, na cultura, no combate á miséria, enfim no bem estar da humanidade, fazendo com isso um mundo melhor onde reine a Paz, a Solidariedade, a Igualdade e a Fraternidade.

 

 

Voto consciente

Por Américo Fernandes

Acompanhando as pesquisas eleitorais, pude verificar a meteórica ascensão do candidato a deputado federal, o Sr. Francisco Everaldo Oliveira da Silva, conhecido popularmente como “Tiririca”.

No ano passado, o Diretório do PR (Partido da República) em São Paulo convidou o Tiririca para os quadros do partido de olho em sua popularidade entre o povo do Nordeste e os mais pobres. Por trás disso existe uma manobra do PR para angariar votos e se beneficiar da proporcionalidade, manobra prevista na Lei Eleitoral, mas de ação duvidosa, por transformar os integrantes da Casa Legislativa em candidatos com desempenhos grosseiros.

Essa estratégia poderá render quatro cadeiras ao PR na Câmara. As pesquisas mostram que o palhaço, ator e cantor tem 3% das intenções de voto, o que dá aproximadamente cerca de 30 milhões de eleitores, que o faria o deputado federal mais votado, com aproximadamente 900 mil votos.

Denunciado à Justiça Eleitoral por falsidade ideológica, Tiririca afirmou á Revista “Veja” que não havia declarado bens em seu nome no Tribunal Superior Eleitoral, em função de processos movidos pela ex-mulher.

Inicialmente Tiririca fazia o papel de “abestado” dizendo que não sabia o que faz um deputado e que irá descobrir se eleito for.

Após ser criticado no horário eleitoral, adotou projetos “contra a descriminação ao povo nordestino” e “incentivos para os circos”

Há os que justificam a sua candidatura alegando que representa uma parcela da população. Se fosse assim, teríamos que ter também candidatos ladrões, candidatos corruptos e toda a marginalidade.

Em Tiririca, vota-se sabendo quem ele é. O eleitor escolhe um palhaço para eleger achando que está sendo esperto ou em revolta, com a situação atual da nossa política, mas no fundo está sendo mais palhaço que o candidato.

O slogan do candidato é “Vote em Tiririca, pior do que está não fica” puro engano. As pesquisas estão mostrando que pode ficar bem pior.

Cientes do quadro de responsabilidade de cada candidato eleito temos que eleger alguém que seja nosso espelho, que tenha os mesmos ideais, que veja o país da mesma forma que vemos, que suas necessidades também sejam as nossas, e que suas propostas fechem com nossos objetivos. Alguém que seja leal, íntegro, verdadeiro, que saiba o que é ter moral; alguém por quem nos orgulhemos de votar nele. Temos que verificar se ele já atuou em algum período como político e quais foram seus feitos. E se ele for candidato pela primeira vez, temos que examinar seus projetos. E, além disso, temos que analisar os ideais do partido a qual pertence o candidato, e quais as filosofias do partido. Não podemos dar nosso voto a alguém que pertença ao bando de corruptos, alguém que seja filho do suborno, alguém que apóie um governo, que só fez por enganar seu povo; alguém que queira trocar nosso voto por um prato de comida, ou que tenha nos feito pequenos favores, pois este, provavelmente será aquele que quando eleito vai nos tirar a comida.

Não podemos vender e nem trocar nosso voto por nada. O voto é muito precioso, dele depende nosso futuro, o futuro de uma nação, futuro do nosso Brasil.
Procedendo desta forma, e ensinando aos que estão próximos de nós, a agir assim, pelo menos é um bom começo para votar certo.

 

 

 

 

 

 

 

 

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